Série Velhinhos #1

E as Garotas de Vênus prepararam mais uma novidade para vocês. Ao longo dos dias, ou semanas, não sei bem a frequência que adotaremos, uma de nós irá postar algo relacionado á Série Velhinhos.

Mas o que será isso?

Vamos compartilhar com vocês nossos livros preferidos, aquele velhinhos, bem antigos, muitas vezes esquecidos diante da torrente de títulos que temos conferido, mas que continuam imortalizados, basta lhes abrir as páginas.

Que fique claro que não temos absolutamente nada contra a literatura recente, de verdade, eu até gosto e já li vários entre individuais e sagas, mas nada realmente se compara aos grandes clássicos dos séculos passados. E por que os defendemos? Porque eles são demais.

Eu tive o privilégio de iniciar a série e poderia citar uma lista ampla e diversificada, cheia de títulos e porquês, mas vou me abster a alguns poucos, porque indicarei outros em breve, e fazer uma leve explanação de sobre o que eu adoro em cada um deles.

O Exorcista

Publicado em: 1971

Autor: William Peter Blatty

Editora: Várias Edições

Uma obra perfeitamente maravilhosa. Eletrizante e envolvente. Sim, eu curto o terror.

  • Sobre o que é?

O livro conta a história da doce Regan MacNeil, uma menina de 12 anos que tem o desprazer de encontrar uma mesa Ouija e de usá-la. Esta mesa faz com que ela comece a ter contatos com um espírito tristonho e solitário que depois de criar uma linda amizade com ela, passa a obriga-la a fazer coisas muito sombrias.

Depois de meses em psicólogos e médicos pertinentes ao caso sem nenhuma melhora aparente, sua mãe que até então era ateia, se convence que o caso da garotinha não é físico, e sim espiritual, e a partir dai existe uma série de possessões, exorcismos, casos peculiares e muito pânico.

Há boatos que tenha sido baseado nos registros de um caso real ocorrido em Mount Rainier, no estado de Maryland.

  • Mas por que ler O Exorcista?

Porque é bom ter o conhecimento de uma gramática vasta. Além de ser uma obra conhecida por muitos, famosíssima e responsável por um dos filmes de terror mais comentados até hoje.

O Exorcista é uma obra completa, sem furos, com todos os núcleos muito bem fechados e que te prende o leitor do início ao fim.

Não minto que é um pouquinho cansativo no início, mas mesmo sendo assim, ele não te desestimula porque, pelo menos no meu caso, a grande quantidade de palavras complexas me fazia querer cada vez mais. Quando estava mais ou menos na página 50 do exemplar, passei a ficar com um papel e caneta nas mãos durante a leitura porque a riqueza de vocabulário é maravilhosa, e a quantidade de palavras que até então eu não conhecia era enorme.

Quando tudo começa a se desvendar no livro e a pobre garotinha se tem como possuída é impossível parar a leitura porque o seu desejo vai ser saber o que vai acontecer na próxima página.

Confesso que eu o li em apenas 2 dias, a bibliotecária até espantou quando voltei lá para devolver, porque ele é muito bom mesmo e meche de uma forma particular com o seu subconsciente, bruxaria talvez, porque eu juro que enquanto lia ouvia vozes e sentia presenças perto de mim, sem contar que durante a leitura e dois dias depois de devolver o livro eu fiquei sonhando com a garotinha do livro na versão do filme. Um ótimo sonho, não acha?

Esta é uma obra que fará parte da minha biblioteca particular porque quero reler ainda muitas outras vezes, e eu indico, de verdade.

Dom Casmurro

Publicado em: 1988

Autor: Machado de Assis

Editora: Várias edições

Um dos meus nacionais preferidos, não poderia deixar de aparecer aqui, de verdade, mesmo sabendo que muitos não gostam dele.

  • Sobre o que é?

O livro conta a história de Bentinho e Capitu e é narrado em primeira pessoa, que eu detesto. Bento de Albuquerque e Santiago tem a ideia de resgatar a sua adolescência na sua velhice, porque conta 54 anos no decorrer da história.
Ele foi obrigado por sua mãe a fazer seminário depois de uma promessa feira por ela, mas a paixão que nutria por sua vizinha pobre, Capitolina, faz com que ele abandone os desejos de sua mãe e vai estudar direito, casando-se em seguida com sua paixão.

Quando seu amigo Escobar, um atleta nadador, morre, ele observa que Capitu olha o defunto fixamente, assim como a viúva, como se ela quisesse também o nadador da manhã. E a partir dai começa a trama realmente, onde Bentinho cria e recria ideias e mais ideias que comprovem para ele mesmo que Capitu o traia.

  • Mas por que ler Dom Casmurro?

Porque é bom aprender a pensar. Espere um pouco, não se irrite comigo ates de entender. Novamente defendo as obras de hoje, mas está difícil encontrar uma obra da atualidade que instigue tanto a sua imaginação a resolução de fatos como Dom Casmurro.

Compreender o que houve realmente entre Bentinho e Capitu é algo que perdura até hoje entre aqueles que se dispõem a apreciar esta obra.

Cansativo? Sim. Como toda e qualquer obra que aguce seus sentidos e te faça pensar. Que tenha um vocabulário amplo e te faça refletir mais do que te mostre tudo de mão beijada.

Acho tão chato um livro no qual você começa a ler e depois de 2 ou 3 capítulos já desvendou toda a história, já sabe tudo o que vai acontecer e, em geral, em 99% das vezes está certo.

Hoje é tudo muito previsível, tudo muito claro e exposto. Não é necessária a reflexão, o desespero por entender o que se passa com cada uma das personagens, o que poderá acontecer, e que quase sempre você supõe errado.

A Moreninha

Publicado em: 1844

Autor: Joaquim Manoel de Macedo

Editora: Várias edições

Mais um da série “eu adoro livros nacionais”, A Moreninha fez parte da minha adolescência e não poderia ser diferente.

  • Sobre o que é?

O livro conta a história de quatro estudantes de medicina (Filipe, Leopoldo, Augusto e Fabrício) que decidem passar um feriado na casa da avó de um deles, em uma ilha, e depois de uma conversa entre os quatro, Augustos promete que se apaixonasse por uma mulher por mais de quinze dias, escreveria um romance contando a história desta paixão. Então surge o livro, A Moreninha, baseado em sua paixão que tinha tudo para dar certo, não fosse uma promessa de fidelidade feita pelo estudante a uma menina que conhecera na infância e cujo paradeiro e identidade ele desconhecia.

  • Mas por que ler A Moreninha?

Porque é um dos romances mais lindos que eu já tive o prazer de ler. Em uma época onde não havia maldade, onde não havia tanta exibição e sexualidade acima de tudo, o romance de Carolina e Augusto é algo que eu defino como amor.

Certo que é algo meio impossível de acontecer, um sentimento que transcende os anos, os desejos e sensações, um sentimento puro e desinteressado, é verdade, é impossível mesmo, mas continuo gostando mesmo assim.

Se estou sendo sentimentalista? Sim, estou, e não me envergonho nenhum pouco disto. Recomendo A Moreninha para todos os amantes, para aqueles que buscam a história de um amor verdadeiro sem tanta maldade ou malícia. Ele é leve, tranquilo, gostoso de ler, e tenho quase que certeza (porque não temos certeza de nada na vida) que você não iria se arrepender de ler.

O Ateneu

Publicado em: 1888

Autor: Raul Pompeia

Editora: Várias edições

Mais um brasileiro e que, diferente do que a maioria pensa, faz parte dos meus favoritos hoje e sempre.

  • Sobre o que é?

O livro que é considerado uma das maiores obras nacionais narra os dois anos em que Sérgio, o protagonista, que conta a história de quando viveu no internato chamado Ateneu.

Sérgio é obrigado a viver as mais diferentes situações durante a sua estada no famoso internato que tem uma visão maravilhosa, com suas grandes festas, suas coreografias, princesas, discursos e ginastas das melhores qualidades. O melhor local para uma criança nobre ser educada.

Depois que Sérgio se vê no colégio, ele vislumbra uma realidade totalmente diferente daquela criada fora de seus muros, um mundo cheio de humilhações, imprudências, ignorância e falta de respeito.

  • Mas por que ler O Ateneu?

Porque a vida não é um mar de rosas onde o final sempre é feliz.

Sim, O Ateneu mostra uma realidade que era escondida por muitos numa época onde o que mais importava para os grandes nomes, era a sua posição econômica cada vez mais alta.

A obra leva o leitor às dependências de um internato para garotos, onde de tudo existe, e mesmo que seja um pouco forte para a época em que foi lançado, não deixa de ser a mais pura verdade, já que o livro é uma crítica clara as instituições de ensino e internatos da classe rica existente no século XIX.

Lolita

Publicado em: 1955

Autor: Vladimir Nabokov

Editora: Várias edições

Uma obra que te deixará em conflito, é verdade, e antes de você terminar a leitura já terá tomado partido em favor de Lolita ou Humbert Humbert.

  • Sobre o que é?

A obra conta a história de Humbert Humbert, um homem de 35 anos que tinha um sério problema em sua vida: gostar de meninas pequenas e não conseguir se interessar por mulheres da sua idade. Narrado em primeira pessoa, na visão de Humbert, um professor de poesia francesa, o livro fala sobre sua vida e seu amor pela jovem Dolores, sua Lolita, e seus 12 anos.

Depois de se casar com a mãe da garota com o único pretexto de se manter próximo da jovem que ele alegava seduzi-lo, Humbert passa a imaginar as formas de dar um fim a senhora a fim de poder viver o seu romance com a menina.

Com a morte de tal mulher, Humbert passa a viver com Lolita e a fugir com ela, temendo ser preso por se considerar culpado por lhe tirar a infância. Lolita sucumbe e passa então a projetar formas de como se livrar do homem para poder seguir sua carreira de atriz.

É um livro frustrante, sem dúvidas.

  • Mas por que ler Lolita?

Porque nem tudo é do jeito que pensamos ser. Sim, esta é o melhor motivo para que você leia esta obra. Seus olhos podem te enganar, assim como os teus sentimentos.

Não vou defender ninguém, embora ache que a Lolita é a grande vítima de tudo, mas tentando ser imparcial, vou me justificar.

Nosso subconsciente tem a péssima mania de entender as coisas que acontecem ao nosso redor da forma que bem entende, e sobre esta afirmativa ninguém poderá discordar. E infelizmente, por isto, podemos muitas vezes nos dar mal, ou simplesmente nos darmos muito bem, dependendo para que lado da situação teremos tendência a pender.

Podemos simplesmente nos aproveitar daquilo que vemos, ou nos aproveitar sobre o que os outros veem em nós. Podemos criar um mundo totalmente particular em cima do que nossa mente nos transmite e vivermos nele ou obrigar que alguém faça parte deste mundo criado por nós.

Lolita mostra a loucura da mente humana, o desespero sobre o que vemos podem causar. Deixa claro o ponto máximo de insanidade que nos deixamos envolver e, o pior de tudo, mostra como podemos acreditar que estamos agindo de forma correta, mesmo que nossa consciência diga que estamos errados.

Portanto, eu gosto de livros antigos por uma infinidade de motivos. Não da pra mudar, e nem quero que mude, mas realmente fico triste ao ver jovens leitores trocam essas obras por outros tipos de romance, de ver que hoje, a maioria prefere a facilidade, a finalidade, e não o pensar, o raciocinar.

Sou a favor da leitura, todo o tipo de leitura, mas ainda mais a favor da vastidão da leitura, algo que só se consegue com uma gama de obras e autores que diferem em escrita, período, história e tempo.

Em breve as garotas de Vênus indicarão mais leituras legais e antigas. De um crédito a livros antigos. Sabemos que vai curtir.

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3 comentários sobre “Série Velhinhos #1

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