Resenha – A Sangue Frio

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Título: A Sangue Frio

Autor: Truman Capote

Editora: Companhia das Letras

Nº de páginas: 440

Ano: 1966

Nota: 5/5

 

 “Dewey fechou os olhos. Manteve-os fechados até que ouviu o baque surdo anunciando um pescoço quebrado por corda. Como a maior parte dos agentes da lei dos Estados Unidos, Dewey tem a certeza de que a pena de morte é um meio de intimidação ao crime violento. Sentia que se a punição se justificava, era o caso presente. (…)Mas Smith (…) despertava outra espécie de reação, pois Perry possuía a alma do animal ferido, da criatura exilada que o detetive não podia menosprezar. Lembrou-se do primeiro encontro com Perry, na sala de interrogatórios em Las Vegas: o menino-homem, quase anão, sentado na cadeira de metal, os pés em botas mal tocando o solo. E foi o que viu, quando abriu de novo os olhos: os mesmos pés infantis, tortos, balançando ”.

E é neste clima asfixiante, escandalosamente real e por isso melancólico, que Truman Capote vai costurando página a página, o que ele mesmo intitulou de um Romance Não FiccionalA Sangue Frio (In Cold Blood).

Em 1959, em Holcomb, interior do Kansas, um fazendeiro próspero, o Sr. Clutter, e sua tão benquista família são assassinados brutalmente. Um crime dessas proporções espantou não apenas a comunidade daquela pequena cidade, mas o país inteiro. Logo, Truman Capote, jornalista e escritor já famoso por sua noveleta Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s), foi arrematado pelo interesse ao caso, e partiu para Holcomb acompanhando a polícia na investigação do crime.

Foram meses a fio entrevistando vizinhos, parentes, amigos e qualquer pessoa que conhecia os Clutter, enquanto ia abastecendo a revista The New Yorker com capítulos meticulosos sobre a vida dos assassinados, a natureza do crime e, principalmente, a motivação (e todos os passos após) dos homicidas.

A Sangue Frio trás a novelização desse caso verídico e deixa o leitor com uma carga profunda de sentimentos dúbios sobre o bem e o mal. Sobre a importância de uma moldagem sadia numa mente infantil. A negligência na educação que pode levar a um caráter frágil na fase adulta. E num segundo de decisão a vida se revela assustadoramente frágil.

Não é um livro para todos. O fato de estarmos lendo uma história de pessoas de verdade, balança as estruturas do nosso ser egoísta, e a própria narrativa de Truman (que envolveu-se profundamente com os assassinos) é rica em entrelinhas minimalistas, pedindo ao leitor toda sua atenção, todo o seu humanismo. Para os aventureiros literários como eu, recomendo fortemente. Texto excelente adjunto numa reflexão social perturbadora!

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