Resenha: Uncharted – O Quarto Labirinto

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Título: Uncharted, o Quarto Labirinto

Autor: Christopher Golden

Editora: Benvirá

Ano: 2012

Páginas: 415

Nota: 3/5

Na antiguidade, havia um mito sobre um rei ganancioso, um tesouro incalculável, um monstro sanguinário e um labirinto sem saída. Agora o passado está de volta”

Com o aumento absurdo da indústria do vídeo game nos últimos quinze anos, o capricho maior nos cenários e os roteiros hollywoodianos, um outro meio de interagir com o universo dos games começou a ocorrer: os livros baseados em jogos. Assassins Creed, Battlefield e Mass Effect estão entre alguns dos jogos mais conhecidos em todo mundo que ganharam adaptação ou expansões literárias.

Meu preconceito acerca deste tipo de literatura foi franco, ao meu ver tais livros pareciam não trazer profissionalismo e competência narrativa, por serem uma transcrição de algo já apresentado em outra mídia.

Então conheci Uncharted: O Quarto Labirinto, de Christopher Golden e me dei essa chance por ser muito fã da série e de Nathan Drake, o personagem central, que bebeu da fonte de Indiana Jones e Lara Croft abundantemente. Sou igualmente fissurada em arqueologia, logo, não dava resistir a premissa da história e cair na aventura (que ainda estava com muito pé atrás, se seria boa ou não).

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“Quando você se deita com cobras, tem que aprender a silvar como elas, mas não significa que tem de se arrastar pelo chão” Victor Sullivan.

Nos primeiros capítulos entramos numa trama macabra, em que um arqueólogo especialista em labirintos mitológicos é encontrado esquartejado num metrô em Nova York. Drake acaba se envolvendo na investigação porque este arqueólogo, Luka Hzujak, é amigo de longa data de Victor Sullivan, companheiro e mentor de Drake. Sullivan pede ajuda ao caçador de tesouros e juntos com Jada, a filha do arqueólogo assassinado, vão enfrentar aventuras perigosas em tumbas e sítios arqueológicos de todo mundo para descobrir quem matou Luka, e por quais motivos. 

Iniciei a leitura com bastante perícia, e um pouco de crítica exagerada, mas percebi que não me divertiria se não entrasse no mundo de Uncharted ali, como fazia nos games. Magicamente, os primeiros capítulos passaram a ganhar um ar de empolgação para mim. Fiquei ansiosa pelo desenvolver do mistério central e como Drake e Sully desvendariam aquele estratagema e ainda sairiam vivos. O clima se tornou tão empolgante que devorei as quatrocentas páginas que compõe a história em três dias!

Christopher Golden, o autor, pesquisou com acuidade mitologia grega, egípcia e até chinesa, criando um pano de fundo prazeroso para os personagens trabalharem. Sua narrativa é talhado com grande esmero nas cenas em que o trio desbrava sítios arqueológicos, nos levando a alcovas abafadas e câmaras de adoração à deuses de outrora.

Contudo, não espere algo singular. O Quarto Labirinto é recheado dos clichês de histórias de aventura, sobretudo as arqueológicas, como a famosa regra de “não tire o ídolo do altar, que está fazendo contrapeso em todo templo para ele não desabar”. A escrita é bem fácil, o que não é um ponto negativo se ela for bem delineada. A interação entre os personagens é muito fluída, com piadinhas e tiradas quase poéticas.

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“A primeira coisa que Drake notou na escuridão foi o odor nauseante que lhe invadiu as narinas. Em seguida, viu dois olhos amarelados brilhando nas trevas e ouviu um rosnado bestial que se transformou num rugido…” Trecho do livro.

Se eu pudesse indicar Uncharted: O Quarto Labirinto, inicialmente seria aos gamers que já tiveram contato com a franquia, por que é incrível como Golden conseguiu trazer direitinho o clima dos jogos para as páginas. É como saborear um quarto jogo da série, só que sem apertar os botões do seu controle analógico. Aos que não fazem ideia de quem é Nathan Drake e Victor Sully (dó de vocês!) vão saboreando a história sem exigir demais dela, assim será descontração garantida.

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