Velha infância…

A escritora sonhadora voando
Lembro-me daquele tempo. Lembro-me muito bem. É só fechar meus olhos que volto ao exato momento. Consigo sentir o cheiro dos biscoitos feitos por tia Ana que se espalhavam pela casa e tomavam o rumo da rua atraindo todos ao redor. Consigo senti a brisa tocando meu rosto e o vento bagunçando meus cabelos. Ao fechar meus olhos consigo até mesmo sentir o gosto da alegria que era subir no pé de goiabeira atrás da casa dos meus avós para  pegar a fruta direto do pé e mordê-la com vontade, mesmo quando mamãe gritava lá de baixo para que eu descesse.
A infância bate a minha porta e eu, receptiva, a atendo. Ela me faz uma visita, me conta histórias que eu não mais lembrava, me mostra como eu, jovem e tola, vivia uma fantasia utópica. Sonhava com lugares encantados, criaturas mágicas, aventuras por terras distantes. Minha mente infantil me levava por caminhos desconhecidos , me fazia viajar por todos os reinos e me encontrar no mais belo paraíso.Fui rainha, guerreira, pirata, bailarina, dancei a dança dos sete véus, fui capitã em um navio. Fui chamada de bruxa, de impostora de princesa, dei a volta ao mundo sem sair de cima da mesa. Enquanto tia Ana cozinhava e contava, eu ouvia e imaginava. Eu brincava com suas histórias e contava algumas delas para mim mesma. Eu vivia para sonhar.

Na infância eu tinha sonhos diferentes, via o mundo de forma diferente e acreditava mais nele do que  acredito hoje. Aos olhos de uma criança toda história é real, toda história tem sentido e todas as pessoas são boas. Aos poucos perdi algumas ilusões e sonhos pelo caminho, conheci pessoas não tão boas, perdi fé em algumas delas, mas aprendi que cada ser humano segue uma estrada, aprendi que não devo julgar uma ação ruim como toda o caminho.

Aquela pequena garotinha me chamou e me fez ver o que eu sempre quis, em todos os meus momentos, sempre quis que ela se orgulhasse de mim. Sempre quis poder olhar para o passado e ver que, apesar de ter aprendido, de ter errado e de ter mudado de opinião várias e várias vezes, eu não me tornei outra pessoa. Eu sonho e acredito nos meus sonhos, eu ainda viajo nas histórias de tia Ana, ainda me perco nos livros e voo para todos os lugares possíveis.

Essa sou eu. E eu sei que a menina que nadava no mar, se escondia em árvores e pulava sem vergonha do que as pessoas poderiam falar, está aqui, dentro de mim, ela se orgulha comigo, ela sente comigo e as vezes ri do que eu falo. É nela que me abrigo quando estou chateada, quando tenho um problema grande demais, ou apenas quando quero ser sincera comigo mesma. Ela sempre esteve aqui e sempre estará.

E como diz a música… “Bola de meia, bola de gude, o solidário não quer solidão. Toda vez que a tristeza me alcança o menino me dá a mão. Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão“…

 

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