A Cidade do Sol – Resenha

A Cidade do SolTítulo: A Cidade do Sol

Autor: Khaled Hosseini

Editora: Nova Fronteira

Ano: 2007

Páginas: 367

Nota: 4/5

Aprenda isso de uma vez por todas, filha: assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher a sua frente. Sempre. 

E este é o maior ensinamento que eu consegui tirar de A Cidade do Sol.  É bem verdade que eu deveria tê-lo lido há bastante tempo, mas acabei passando alguns outros à frente, embora agora, depois de ter iniciado, o tenha feito em dois dias.

Sobre a leitura? Difícil!

É complicado para mim, e acredito que para a maioria das pessoas que compartilhe de pensamentos como os meus, imaginar uma menina de quinze anos se casando com um homem de quase quarenta. Esta é a minha primeira grande indignação, embora não vá falar sobre elas.

Essa narrativa de Hosseini conta a história de Mariam, uma harami (bastarda) de quinze anos que vivia com sua mãe, Nana, em uma kolba (choupana) nas proximidades de Herat e que tinha como maior desejo de seu coração morar na cidade com o seu pai.

O livro é muito bem distribuído em quatro partes, sendo estas passadas desde a década de 1970 até meados do ano 2000. Ele relata, além da história de Mariam, uma grande parte histórica do Afeganistão e isto é feito de forma intensa e envolvente, angustiante.

A primeira parte do livro fala sobre Mariam desde os seus cinco anos até a sua idade de quinze. A menina fora criada por sua mãe em uma cabana/choupana distante da cidade principal pois era tida como uma vergonha para as três esposas de seu pai, que havia engravidado a jovem empregada da casa e que para que o nome do homem fosse preservado, fora enviada a morar o mais distante possível. Ela era ensinada por um senhor que a amava muito, Mulá Faizulá, que a instruía e orientava para que estudasse e sempre agradecesse pelo que tem.

Jalil era um homem rico, pai de dez filhos legítimos e de Mariam, possuidor de um cinema e muitas propriedades e com um nome e reputação a zelar. Depois do nascimento da menina, ele se dispõe a visitá-la uma vez por semana, reservando este dia exclusivamente para ela, que o amava e venerava acima de tudo e de todos.

Como a relação é vista sob os olhos de Mariam, que o pintava como um homem justo e bom, sempre havia discussões entre ela e sua mãe, Nana, que falava mal do homem e alegava diuturnamente o quanto ele era falso e não se importava com a menina, tentando mostrá-la que ele mentia e a havia abandonado, que sua presença ali era apenas uma obrigação a qual ele detestava ter.

Em seu aniversário de quinze anos, Jalil pede que Mariam escolha o que quiser como presente, e ela responde: “Quero que você me leve ao seu cinema. Quero ver o tal desenho animado. Quero ver o boneco que vira menino.” 

A situação não poderia ser mais complicada para ele, porque além de querer ver o filme no cinema do pai, ainda queria que ele a acompanhasse com seus irmãos. Jalil não concorda, mas não deixa claro que não iria, e no dia combinado por Mariam, ela veste sua melhor roupa e o espera incansavelmente sob os olhos de sua mãe.

Depois de cansar de esperar e de uma grande discussão que tivera com Nana, Mariam decide descer a pé para a cidade em busca de seu pai, que para ela, devia ter tido um grande problema para não cumprir o combinado.

Depois de muito lutar, ela encontra sua grande casa e não é difícil fazer o comparativo com o casebre onde mora com sua mãe. Bate na porta, uma empregada a atende, em seguida o motorista, mas todos afirmam que o homem viajou e não volta logo. Ela pede para entrar, mas é impedida e diz que vai esperar. 

Acha que ele liga para você, que vai querê-la em sua casa? Acha que ele a considera sua filha? Que vai levar você até lá? Ouça bem o que vou lhe dizer. O coração de um homem é uma coisa muito, muito perversa, Mariam. Não é como o útero de uma mãe. Ele não sangra, não se estica todo para recebê-la. Sou a única pessoa que a ama. Sou tudo o que você tem no mundo, Mariam, e, quando eu tiver ido embora, não terá mais nada.

Mariam dorme ao relento, na frente da casa de seu pai. É alimentada pela empregada que a atendeu e ao acordar no dia seguinte, quando o motorista a obriga a ir embora, ela se desvencilha e entra pelos portões daquela imensa mansão. De relance, ela vê o pai observando por trás de uma janela no primeiro andar e seu mundo, a partir daquele momento, começa a ruir. Ao chegar novamente em casa, apta a pedir perdão a mãe e lhe ser inteiramente agradecida, Mariam a vê morta: havia cometido suicídio.

A vida de Mariam entra em conflito e tudo o que sua mãe lhe dissera desde que nascera começa a se cumprir. Ela foi para a casa do pai, que a recebeu aparentemente de bom grado, mas uma de suas esposas, após alguns poucos dias, diz que ela está prometida e que deverá casar no dia seguinte com um sapateiro, trinta anos mais velho que ela, que morava em Cabul.

Mariam se nega, enfrenta a todas as esposas, pede que o pai a proteja daquilo, que ela não queria, mas mudo, ele não a defende e quando se dá conta, ela já está em um ônibus, casada com aquele homem que não conhecia, indo para uma cidade distante com o ressentimento do abandono do pai para sempre em seu coração.

Sei que você ainda é pequena, mas quero que ouça bem o que vou lhe dizer e entenda isso desde já’, disse ele. ‘O casamento pode esperar; a educação, não. Você é uma menina inteligentíssima. É mesmo, de verdade. Vai poder ser o que quiser, Laila, sei disso. E também sei que, quando esta guerra terminar, o Afeganistão vai precisar de você tanto quanto de seus homens, talvez até mais. Porque uma sociedade não tem qualquer chance de sucesso se as suas mulheres não forem instruídas, Laila. Nenhuma chance.

A segunda parte do livro conta a história de Laila, dezenove anos mais nova que Mariam, e sua vizinha. Laila era uma menina loira de olhos verdes, muito bonita, educada e inteligente, filha do professor do local. Rashid, marido de Marian, a proibia de conversar com os pais da pequena que ele dizia serem liberais demais por a mulher, casada, andar pelas ruas de véu, e não com a burca, como deveria ser, e permitirem que a menina estudasse.

Laila tinha duas grandes amigas, Giti e Hasina, e um melhor amigo muito próximo, Tariq. Ela também tinha dois irmãos mais velhos, chamados para a frente da guerra contra os soviéticos. 

Sua mãe, desde a partida dos meninos, não via Laila, se importando apenas com os dois filhos ausentes e culpando o pai da menina, por seus filhos terem sido levados. Assim sendo, era Laila a responsável pela arrumação da casa, da alimentação de seu pai e num ou outro dia, sua mãe levantava-se e lhes fazia uma breve companhia.

Em 1992, Najibullah, presidente do Afeganistão, se rendeu aos soviéticos. Laila, com catorze anos, viu sua mãe sair de sua clausura e sentir a morte de seus filhos vingada, já que a guerra era culpa do presidente rendido.

Infelizmente, seis meses mais tarde, a guerra entre os cidadãos afegãos se iniciou pela luta em prol do poder e da liderança do país. Bombardeios, torturas, toques de recolher, linchamentos e dificuldades se instauraram em Cabul, e Laila viu todos os que amavam se acabarem.

Hasina foi dada em casamento e partiu para longe com a família. Giti e duas amigas foram acertadas por um míssil diante de seus olhos e Tariq, seu grande amor, lhe informou que iria se refugiar com os pais no Paquistão pedindo que se casem e que ela vá com ele, mas ela se vê impossibilitada de abandonar os pais, agora que sua mãe voltara a se enclausurar devido a guerra entre os afegãos. Discutiu com Tariq naquela tarde, o bateu e se desesperou. Chorou nos braços de seu amor e se viu entregue a ele sobre o tapete da sala da casa de seus pais. Antes de ir embora, Tariq promete voltar para buscá-la. 

Dias depois, quando um míssil passa pela cabeça de Laila, sua mãe finalmente concorda em ir para o Paquistão também e Laila vê suas esperanças de encontrar Tariq serem renovadas. Estavam prestes a viajar quando um novo míssil atinge a casa. Laila estava do lado de fora arrumando os livros do pai, e daquele dia, a única coisa que se lembra é de ver sua casa ruindo, o tronco de seu pai próximo dela e a sua mãe em pedaços.

Para cada tribulação e cada sofrimento que Deus nos faz enfrentar, Ele tem um motivo.

A partir dai temos as partes três e quatro do livro. Laila é encontrada nos escombros de sua casa por Mariam. Estava muito machucada e a mulher, com a ajuda do marido, resgatam a menina e cuidam dela por alguns dias. 

Certo dia aparece um forasteiro que dizia ter sido internado ao lado de Tariq no hospital do Paquistão. Ele informa que o ônibus no qual estavam foi bombardeado e que Tariq, depois de lutar bravamente, havia falecido. Laila se desespera e depois deste fato, aceita o pedido de casamento de Rashid, tanto por não ter ninguém como por estar grávida, na tentativa desesperada de dar algum futuro para seu filho.

A partir daí a história se passa entre Mariam, Laila, Aziza, sua filha, e Rashid. Você vai ver como a vida dessas duas mulheres se cruzou, as dificuldades de um casamento sem amor e, acima de tudo, até onde a maldade, a mentira, a amizade, o amor e o desespero podem ir.

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