Resenha: Graham – O Continente Lemúria

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Título: Graham – O Continente Lemúria

Autor: A. Wood

Editora: Selo Jovem

Ano: 2014

Páginas: 208

Nota: 3/5

Era isso que faria. Ouviria o ódio e a repugnância que cresciam em seu peito e buscaria vingança. Mataria o maior número de bestas possível. Tornar-se-ia, também, um caçador.

Há algumas semanas firmamos parceria com o autor Vinicius Fernandes (que assina pelo pseudônimo de A.Wood) de Graham – O Continente Lemúria. O chamamos para uma entrevista muito divertida, onde conhecemos melhor esse escritor paulista. Perguntamos sobre suas inspirações, seus gostos literários e também acerca da criação de seu primeiro livro. Agora, após ler o livro, finalmente a resenha chega fresquinha para o pessoal de Vênus. Vamos lê-la?

Ao observar a capa do livro não temos ideia do que nos aguarda dentro de suas páginas. Um olho azul, muito intenso e refulgente, refletindo seu fitar num rapaz misterioso. A sinopse na contra-capa não diz muito mais, apenas nos insinua sobre quais criaturas encontraremos nesta fantasia. Vampiros e Lobisomens.

Essas criaturas malditas existem. São tão reais quanto qualquer pessoa. Elas existem, estão entre nós, e eu odeio todas elas. Quero vê-las mortas, torturadas, dizimadas. Estou aqui apenas para isso. Aniquilá-las uma por uma.” Peter Graham é um caçador de vampiros, mas não foi sempre assim. Antes era um rapaz homossexual que enfrentava as dificuldades de uma sociedade dividida entre a aceitação, o respeito e a repugnância à sua condição. Tinha amigos, amores, preocupações e medos como qualquer jovem, mas tudo isso ficou no passado. O novo Peter é frio e destemido a conseguir seu objetivo: aniquilar o maior número de vampiros possível. No entanto, tudo sofre uma reviravolta quando se vê obrigado a realizar uma missão à Família de vampiros que procura há muito tempo: caçar e matar um lobisomem. O que Peter não esperava era se apaixonar por ele e acabar por descobrir um segredo muito antigo que pode ajudá-lo em sua busca…

De certo me bateu aquela sensação dúbia pelo o que viria, por termos referências excelentes (As Crônicas Vampirescas, Anne Rice) e outras sabiamente duvidosas. Deixando os preconceitos de lado, mergulhei na leitura.

Quebrar preconceitos, aliás, é uma das vertentes que movem este livro. Estamos acompanhando a vida de Peter Graham – nosso protagonista – um estudante universitário canadense, bem estruturado na sociedade. Pertencente a uma família de classe média que o ama, com bons amigos, gostos juvenis e sonhos idealizados para um futuro próximo. Ele também está apaixonado: Jordan, um rapaz belo, de sorriso enigmático, que lhe faz sentir sensações nunca antes experimentadas.

No início da história acompanhamos o conflito de Peter, que vagueia entre conquistar este amor e ser plenamente feliz nele, passando por situações desconfortáveis, descobertas incríveis e avassaladoras, além do dilema de ter de dividir para sua família a verdade sobre sua sexualidade. Estas passagens nos veem como flash backs, porque no presente uma trama sinistra se desenrola.

Eu sabia da verdade, pois enxergava o que ninguém quer enxergar; aquilo que a mente humana esconde e tenta buscar uma explicação lógica dentro dos padrões da sociedade, dentro da racionalidade.

Logo no primeiro capítulo temos o Peter do presente, alguém que parece mais maduro e destemido, narrando sua investida numa boate badalada para caçar um sanguessuga, como ele mesmo diz, cheio de ódio, ao referir-se aos vampiros. Ali já podemos notar que algo muito ruim aconteceu na sua vida, transformando-a em dias pesarosos onde sua única motivação é destruir o maior número de vampiros possível.

A narrativa se desenrolada por mais da metade do livro entre o passado e o presente (este último sempre narrado em primeira pessoa), cadenciando entre dois extremos da existência de Graham. Em contrapartida, a história vai crescendo em drama e suspense nos dois tempos, mostrando a faceta de Vinicius Fernandes em ir conduzindo a trama para um ponto de impacto inevitável.

Graham – O Continente Lemúria é livro de fantasia juvenil, com pancadaria, muitas cenas de ação e criaturas bestiais dignas de histórias de mortos-vivos e homens-lobos, contudo vale ressaltar que metade dele foca no drama e no romance. Nas relações do protagonista com seus familiares, lidando com o preconceito da homossexualidade e sobre escolhas. Sim, Peter se vê diante de muitas escolhas e sua impotência em muitas delas torna-o ainda mais obstinado na sua causa capital. 

Confesso ter começado a leitura ansiosa pela fantasia vampiresca, e nas primeiras páginas o drama de Peter Graham não me interessou. Porém, conforme ia avançando a curiosidade cresceu e logo me vi torcendo por ele no amor e nos conflitos, querendo vê-lo quebrar as barreiras rígidas da sociedade para ser tão somente ele mesmo.

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Referências sobre diversas obras da cultura pop.

O elemento fantástico se encaixa bem na roupagem moderna de seu protagonista e, como fã da série Supernatural, pude enxergar suas referências como “easter eggs” por toda obra. É realmente uma boa surpresa para os aficionados pelas aventuras de Sam e Dean, e em cultura pop em geral. Em certos momentos sentia que só faltava o Rock ‘n’ Roll!

— As crianças vão sair, como sempre, então nós também temos que nos divertir um pouco. Nem tudo é só trabalho. Lembra-se daquele filme? O homem que acaba enlouquecendo de tanto trabalhar e no fim quer matar a mulher e os filhos?

Além de Peter Graham, alguns personagens me chamaram a atenção. Destaque total para Jordan Mitchell e seu jeito despojado, completamente leve. Um rapaz sem amarras e dono de uma personalidade muito sadia, que me encantou praticamente todas as vezes que apareceu. E o enigmático Jonh Dale. De cara adorei o nome dele! Não vou dar spoiler sobre o seu papel na história, apenas deixarei registrado que seu caráter e filosofia me cativaram em muitos momentos. E me assustaram em um deles.

O lobisomem, num único movimento, impulsionou seu corpo pesado em nossa direção e chocou-se com a parede de pedra […] consegui ver sua mão do tamanho de meu rosto segurando-se no parapeito da janela. No momento seguinte, surgiu um focinho do que parecia ser um lobo, só que anormalmente maior, e farejou o ar.

O desfecho foi intenso, um acúmulo de reações em cadeia honestamente inevitável. O segredo sobre o Continente Lemúria aparece de um modo surpreendente, chegando a me deixar aflita nas sequências derradeiras. O caminho do caçador de vampiros a partir dali me pareceu digno, principalmente para com o leitor. E ainda há um epílogo… Um epílogo destruidor.

Teorias sobre Lemúria, a lenda de um continente perdido.

Teorias sobre Lemúria, a lenda de um continente perdido.

 A narrativa do autor é bem leve e você não irá encontrar nenhuma dificuldade em assimilá-la e interagir na história. As duzentas e poucas páginas passam num piscar de olhos, podendo ser devoradas num dia do seu fim de semana ou numa tarde livre, por exemplo.

Como nem tudo são rosas, quero salientar alguns pontos que me incomodaram na leitura. Primeiro para a diagramação e revisão. A Editora Selo Jovem podia ter trabalhado com mais cuidado no texto, que está permeado de uma confusão de fontes que pulam diversas vezes de tamanho. Existem alguns erros de digitação, o que costuma ser normal, mas que para um livro pequeno como o Continente Lemúria me pareceu excessivo, chegando a me irritar um pouco.

Minha segunda observação é para a rapidez com que a narrativa se descolocava. Entendo a dinâmica que o autor quis criar para a história, tornando-a o mais direta e juvenil possível, certamente querendo não deixar massante ao seu público. Entrementes, senti bastante falta de detalhes, interações e curiosidades de como os personagens se deslocavam e agiam entre si, e em determinados lugares. A intimidade entre o lobisomem e Peter Graham, por exemplo, ficou estabelecida de imediato me soando deveras forçada.

Graham – O Continente Lemúria é uma fantasia sutil (ainda que dark em diversos trechos), com bastante romance e firmes pretensões. Uma leitura divertida e exploratória em muitos âmbitos, uma roupagem jovial sobre um caçador de vampiros totalmente original.

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Até a próxima resenha! Abraços amigos!

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