Como eu era antes de você – Resenha

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Título: Como eu era antes de você

Autor: Jojo Moyes

Tradução: Beatriz Horta

Editora: Intrínseca

Nº de páginas: 320

Nota: 5/5

Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível.

O que falar sobre este livro? Que para mim ele é PERFEITO! Meus amigos mais próximos sabem o quanto eu não sou fã de romances ou dramalhões, mas depois de ver várias indicações em um grupo de leitura sobre este livro, resolvi me aventurar, afinal, 100% dos leitores que o conheciam falavam bem. Arrisquei.

E juro, eu não me arrependi em um único momento. A leitura fácil com diálogos simples e uma contemporaneidade ímpar além da história envolvente que me instigou me fizeram ler as 320 páginas em menos de 24 h, isso contando todas as paradas que fiz.

O livro conta uma história que poderia ser igual a maioria das histórias contadas hoje em dia, mas não é bem assim. Ele trata de um drama forte, sobre temas que eu nunca havia visto serem abordados em livros de literatura, como a paraplegia e a eutanásia. 

Tudo gira em tordo de Louise Clark e Will Traynor.

Lou é uma garota de 26 anos que trabalha em uma lanchonete como garçonete e namora há 7 anos o Patrick, um personal trainer obcecado por saúde. Ela tem uma irmã mais nova mãe solteira com quem nutre algumas desavenças, um avô que sofreu um derrame e pais inusitados. Ela não tem muitas ambições já que sempre esteve a sombra de sua irmã e vê toda a sua vida mudar quando é dispensada de seu trabalho e obrigada a ser acompanhante de um cadeirante, Will Traynor.

Will é um cara arrogante que cresceu sem nunca ser intimidado ou contrariado. No auge de sua saúde, ele é atropelado e se vê obrigado a passar o resto da sua vida confinado em uma cadeira de rodas, tendo sofrido lesões na coluna, o que lhe tornou tetraplégico e transformou o aventureiro e saudável rapaz em um poço de amargura que destilava sua ignorância no primeiro que cruzasse o seu caminho. E foi assim com Lou até determinado ponto.

— Oh, Céus… — Ele virou as costas se afastando, a voz sarcástica. — Por favor, me poupe de psicoterapia. Continue lendo suas revistas de fofoca ou seja lá o que você faça quando não está preparando chá.

Minhas bochechas ficaram em chamas. Observei-o manobrar a cadeira no corredor estreito e minha voz saiu antes mesmo de eu saber o que estava fazendo.

— Você não precisa se comportar como um babaca.

Então acontece algo realmente incrível e até esperado: o carrancudo deixa suas armas caírem ao chão e se mostra mais cordial para a garota que o acompanhava. A amizade dos dois cresce e fica cada vez mais forte, e em algum tempo, eles se tornam amigos em suas diversidades, com seu jeito estranho de se entenderem, se engalfinhando entre palavras sarcásticas e azedas.

Tudo vai bem até que Lou descobre algo incrível, estranho e assustador. Ela se vê sem condições de continuar, não consegue aceitar e simplesmente desiste; desiste de tudo e depois de jogar todo o avanço que teve com Will para o alto, se desespera.

Aquilo me sobrecarregou, partiu meu coração, meu estômago, minha cabeça, me invadiu e não pude aguentar. Achei que, sinceramente, não aguentaria.

Mas ela não desiste e realmente continua. A batalha de Lou para entender o mundo de Will, seus medos, suas limitações, seus anseios e tudo o que poderia de alguma forma fazer com que ele viva melhor a impulsionam. Will lhe mostra um novo sentido para a vida, abre seus horizontes para caminhos que ela nunca imaginara cogitar e ela se vê totalmente mudada, mudada de uma forma indescritível.

Mas o que ela não percebia era o bem que fazia também a seu patrão. O sorriso contínuo que ele mostrava cada vez que a encontrava. Seu desejo sempre presente para que ela melhorasse e a intimidade que crescia entre os dois e os envolvia delicadamente como o alvorecer de uma manhã de primavera.

Poucas coisas me fazem feliz, e você é uma delas.

O desfecho do livro é surpreendente. Rapidamente você descobre quais são os planos de Will e sente o desespero pela vida que ele tem, se emociona com seus pais e luta com Lou para que ele se sinta capaz, novamente útil, ilimitado em suas limitações.

Ser atirada para dentro de uma vida totalmente diferente — ou, pelo menos, jogada com tanta força na vida de outra pessoa a ponto de parecer bater com a cara na janela dela — obriga a repensar sua ideia a respeito de quem você é. Ou sobre como os outros o veem.

Eu posso dizer que este livro mexeu comigo e que eu não sou uma pessoa fácil de se impressionar. Não sei se o fato de estar em um momento incrivelmente sensível colaborou, mas este faz agora parte dos meus favoritos e eu recomendo a leitura simples e envolvente que vai te mostrar uma história de amor e amizade diferente das que estamos acostumados a ver. Minha nota é 5, nota máxima e com louvor.

E eu confesso: Eu chorei. Chorei copiosamente como se não existisse mais nada além deste livro. Chorei como se eu tivesse perdido algo dentro de mim para sempre. Chorei a dor da despedida, a dor do desencontro, do desespero e do amor reprimido. Chorei e não nego, estou sentindo um aperto dolorido ao escrever sobre isto. A sensação de que nada nunca será igual. Chorei como se eu estivesse ali, participando de tudo. Chorei e me envolvi como há muito não acontecia.

Eu adorei este livro, foge de tudo o que conheço. Moyes me mostrou nesta leitura que nada é impossível, que somos capazes de tudo o que realmente queremos se procurarmos com grande ímpeto, com força. A aprender a valorizar cada amanhecer, cada raio de sol ou gota de chuva como se fosse o último. A viver a vida como se tudo acabasse daqui a 10 min.

Uma notícia legal sobre o livro é que virará filme e será adaptado pelos mesmos roteiristas de A Culpa é das Estrelas e 500 dias com ela. A notícia foi revelada pelo site da Intrínseca e eu não sei se realmente procede, mas fico na espera.

Gostaria de agradecer a Moyes por isto e se posso me dar ao luxo de dar uma dica, apenas digo: Leia.

É isso. Você está marcada no meu coração, Clark. Desde o dia em que chegou, com suas roupas ridículas, suas piadas ruins e sua total incapacidade de disfarçar o que sente. Você mudou a minha vida. Não pense muito em mim. Não quero que você fique toda sentimental. Apenas viva bem. Apenas viva. Com amor, Will.

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