Resenha: 500 Dias com Ela

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500 Dias com Ela (Days of Summer) é um filme que há muito tempo estava na minha lista de “Filmes que todo mundo fala, e por isso eu devo ver”.  Esse fim de semana finalmente calhou do tempo e a vontade se encontrarem, então lá fui eu descobrir o que havia de tão demais nele.

Logo de início já temos uma narração em off avisando que não se trata de uma história de amor. Achei que essa narração iria me incomodar (como acontece em muitos filmes utilizadores desse recurso), mas ela foi bem divertida. Nosso narrador já começa contando sobre qual assunto será abordado e apresentando os personagens centrais. Ele nos mostra Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt), o entendiado funcionário de uma empresa que cria cartões comemorativos. Aqueles cartões que nós encontramos nas bancas, cheias de frasezinhas clichês. E ele nos mostra Summer Finn (Zooey Deschanel), a nova secretária do chefe de Tom. Uma moça bem peculiar, que se veste num estilo sessentista e tem uma opinião moderninha sobre relacionamentos. Para Summer envolvimentos amorosos são perda de tempo, algo que as pessoas jovens e bonitas não deveriam investir.

Apresentado os personagens, já fica esclarecido que Tom se apaixona por Summer à primeira vista, ou seja, inicia-se o dia Um. E então começa a brincadeira narrativa.

Após os créditos iniciais, já pulamos para o dia 290, dos 500 dias que Tom terá com Summer. Nesse dia ele está de coração partido, quebrando pratos de forma monótona na cozinha, por ter tido um desentendimento sério com sua amada. É uma cena bem engraçada, em que Rachel Hansen (Chloe Moretz), a irmã mais nova de Tom, e dois amigos aloprados dele tentam animá-lo. Daí podemos notar em que proposta o longa nos levará. 500-500-days-of-summer-couple-cute-joy-division-Favim.com-202936

Percebermos que haverá uma inversão de papéis entre os personagens, na verdade entre homens e mulheres. É notório em nossa sociedade o conceito de que as mulheres esperam o grande amor, são românticas, planejam a vida e refletem seu humor envolta de uma paixão, enquanto os homens são práticos e frios nessas questões. Quantas vezes você não viu ou ouviu alguém taxando o romantismo masculino como “viadagem”?

Summer Finn é uma moça muito bonita, independente e uma doçura visualmente. Não foi criado um esteriótipo “femme fatale” e imponente para justificar sua opinião sobre o amor. Sua aparência, muito pelo contrário, nos passa um ar de menininha avoada e desamparada, daquelas que sonham com um casamento e o príncipe encantando numa charrete de cavalos brancos.

Tom possui todos os atributos que “deveriam” (será?) pertencer a Summer. Ele é carinhoso, constante, acredita no destino e seu humor varia de acordo com o status em sua vida amorosa. Para termos uma ideia da neurose de Tom, qualquer frase da sua pretendida no tempo que ele quer conquistá-la, pode significar que ela está transando loucamente com outro cara. Me chegou a passar a impressão de que nosso mocinho vive cada novo amor desse jeito passional.

Com um casal tão incomum das comédias românticas tradicionais é de se esperar que o diretor Marc Webb (O Espetacular Homem-Aranha) tenha nos preparado algo diferente no decorrer de 1h35min. Temos comédia, temos romance, mas acima de tudo, a vida real. Embora Summer fique num patamar superior (propositalmente endeusada nas narrações e pelos trejeitos encenados pela atriz) ao pacato Tom Hansen, vemos que numa relação as partes nem sempre (praticamente nunca) estão compartilhando dos mesmos desejos.

Tom quer X, Summer rejeita Y porque não acredita em Z. As pessoas se machucam por suas expectativas em relação ao par e isso nada mais é do que o dia-dia de todos nós.

O filme me fez rir, pensar, refletir e ter dózinha de Tom. O fato dele ser Joseph Gordon-Levitt contribuiu para, porque suas caras de “fossa” e “dor de cotovelo” são impagáveis! A cena que ele se debulha no Karaokê, remoendo nas agruras do fim de seu namoro com Summer, num porre daqueles, está entre minhas cenas prediletas do cinema já.

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Marc Webb trabalhou muito o cenário em 500 Dias com Ela. Há uma constância da cor azul, principalmente em Summer, que combina absurdamente com os olhos de Zooey Deschanel. Também pode ser interpretado pelo estado de espírito deles, ou essa ideia dela ser divina, estar nas nuvens, acima de Tom. Outra originalidade foi o  diretor optar por bagunçar na linha do tempo trabalhando na narrativa não-linear. Começa pelo fim, vai pro meio, volta para perto do final outra vez…

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Por fim,  os atores escolhidos não poderiam ser mais adequados. Joseph e Zooey tem uma química deliciosa, daquelas que nos faz ficar de sorriso nos lábios. Os amigos de Tom e o chefe dele, interpretado por Clark Gregg (Vingadores), apoiam, e sem excesso, a personalidade que Marc Webb quer nos passar o casal.

500 Dias com Ela é um filme inteligente, dirigido com grande esmero, e que merece ser visto ao menos uma vez na vida (eu vou ver de novo!). Recomendo ele não para aqueles que gostam de algum dos atores, do diretor, do tema… Recomendo para quem ama o cinema, as possibilidades criativas que a sétima arte permite a profissionais visionários e saborear temas corriqueiros de nosso dia-dia que nos levam, inevitavelmente, a comparações e identificação.

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